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Ressurreição: a vitória do Amor

A Ressurreição é o triunfo do amor sobre a morte. Porque o amor é mais forte que a morte (cf. Ct 8, 6-7). A morte é passagem, é páscoa. Cristo é nossa páscoa. Na morte a vida surge em abundância. A Ressurreição é a memória de Jesus em seu ápice e triunfo. A memória eterniza o tempo assumindo-o e superando-o dando espaço ao Kairós. Kairós é o tempo de Deus, é o próprio Deus, sua eternidade. Pois, se a força do amor é expansiva, então nada pode ofuscar o esplendor da vida.

O amor é o “ser de Deus, a vida de Deus” (STEIN, 2013, p. 467). Por isso, o Pai como fonte última dá vida ressuscitando Jesus. Jesus, por sua vez, entrega-se totalmente ao Pai. “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23, 46). Diante do sofrimento, de abandono ele se entrega. Jesus na cruz é a páscoa, a plenitude oblativa, ele nos eleva ao Pai (cf. CARRARA, 2014, p. 194). A cruz é o ponto máximo do amor de Jesus pela humanidade.

O caminho quaresmal foi uma via apaixonante, porque seu amor era apaixonado. O amor de Jesus era feito de paixões, cuja paixão fez entregar a sua vida. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Mas, Jesus não entrega a vida somente na cruz, pois, sua vida foi entrega apaixonante. “De fato, este homem era mesmo o Filho de Deus” (Mc 15, 39) afirmou o oficial romano. Ele os amou até o fim e amou loucamente a ponto de ser considerado escândalo para os judeus e loucura para os gregos (cf. 1Co 1,22).

O amor é exagerado e, por isso, envolvente. Nisto consiste sua força. A onipotência divina se manifesta não pela força, mas pela “fraqueza” da sua misericórdia (cf. MV, n.6). A misericórdia é a concretude do amor, cuja visibilidade se expressa na caridade. E caridade é “fazer o bem sempre, o bem a todos”. “Portanto, a caridade é a plenitude da Lei” (Ro 13,10).

Somente com um amor assim é possível dá a vida, pois o amor plenifica. Um amor apaixonado pelo Reino do Pai gerou uma energia apaixonante, cuja força matou a própria morte, isto significa que o amor é o antídoto e a arma contra a morte. É próprio do amor morrer vivendo, pois “se o grão de trigo que cai na terra não morrer, permanece só; mas se morrer, produzirá frutos” (Jo 12,24).

 Quem ama, pois, morre para si mesmo afim de sair de sua própria comodidade e levar a alegria do Evangelho (cf. EG, n.20). Assim, o amor de Jesus por nós é um amor contagiante, por isso, apaixonante. “A intimidade da Igreja com Jesus é uma intimidade itinerante” (EG, n.23). Segue daí os discípulos. O discípulo é aquele que viu, se apaixonou, creu e que agora não consegue mais viver ser amar Aquele que ama. Por isso, “a mulher, então, deixou o cântaro e correu à cidade, dizendo a todos” (Jo 4,28). O amor é atraente, envolvente e, por isso, vital. Ele é a animação da vida cristã. “Porque Deus é amor (1Jo 4,8).

Nossa salvação consiste na adesão do amor louco por Jesus. É gratidão eterna ao Senhor por sua solidariedade conosco. Jesus nasce, vive, morre e ressuscita conosco. não estamos sozinhos. “A salvação de Jesus e da humanidade encontra-se na elevatio entis ad Patrem de Jesus. Jesus não se eleva sozinho, mas eleva consigo a humanidade” (CARRARA, 2014, p. 204). A solidariedade de Jesus é nossa salvação. Jesus é nossa vida. Salvar-se é, com isso, deixar-se amar. Quem ama deseja, busca, cuida e oferece aos outros a graça do Amado. O amor é uma graça porque é de graça, ou seja, é gratuito e, por isso, livre. A ressureição é a potencialização do amor. Cristo ressuscitado é nossa páscoa. Nele somos imersos na filiação ao Pai. E isso é nossa salvação. O Deus de Jesus é Pai. E a paternidade de Deus nos gera homens novos, isto é, ressuscitados. A ressurreição é a vitória do amor sobre a morte.

Na ressurreição de Jesus ganhamos uma veste branca (cf. Ap 7,4), isto é, somos envolvidos de dignidade festiva, cujo banquete é eterno. A Páscoa de Jesus é o símbolo de todo desejo humano. Os homens anelam por vida plena. Não pode morrer um desejo tão profundo e expansivo. Somente quem se deixa penetrar pelo amor de Cristo pode saborear o quanto o Senhor é bom. Sua bondade nos sustenta e nos impulsiona a viver como filhos de Deus, isto é, ressuscitados.

Tomé é o sinal da misericórdia de Deus por nós. A comunidade é lugar do encontro com o Senhor. Vemos o Ressuscitado no corpo eclesial. Porque tendo aparecido aos que estavam no primeiro dia da semana reaparece oito dias depois (cf. Jo 20, 19. 26). A misericórdia do Ressuscitado nos espera e extrapola o tempo por amor a humanidade. “É o tempo que você perdeu com sua rosa que a torna tão importante” (SAINT-EXUPÉRY,2015, p.73). De fato, Tomé precisa ver com os olhos do coração. Porque “só se enxerga bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos” (SAINT-EXUPÉRY, 2015, p.72). A amizade torna o amigo único. “Já não chamo servos..., mas vos chamo amigos” (Jo 15, 15).  

A ressurreição é o antídoto contra as forças de morte. Quem experimenta a vida só pode desejar viver. E se vive, vive amando. O amor é vital. Mas, o que é amor? Desejar, fazer e festejar o bem dos outros de modo a constituir um mundo de irmãos. O rosto do Ressuscitado reflete no rosto do próximo. “E próximo não é aquele que ‘amo’, mas todo ser que passa perto de mim”, afirma Edith Stein. Assim, como Jesus é o rosto do Pai, o cristão é o rosto de Cristo. Essa simbiose cristológica é eclesiológica, isto é, a comunhão com Jesus Cristo é vivida na Igreja. Pois, é na comunidade que o reconhecemos ao partir do pão (cf. Lc 24,30-32).

A experiência do amor nos lança para fora de nós mesmos porque o amor é exagerado. Logo, o amor nos plenifica. Deus é amor apaixonante. Por isso, ele nos toca. Sua presença é inevitável devido ser o amor abertura de si para o outro. O amor é expansivo porque não é egoísta. Se o egoísmo é o fechamento em si mesmo, então ele é a causa da morte. E se o amor é abertura sem perder-se no ato mesmo de doar-se, então quem dar recebe. Assim, o amor é vida. Ele procura desatar as amarras para respirar ares novos. Jesus disse “Lázaro, vem para fora!... Desatai-o e deixai-o ir” (Jo 11, 43-44).

Enfim, a Ressurreição é a força da vitória do amor sobre a morte. A vida se sobrepõe ao túmulo. O túmulo mais pesado é do eu fechado. Para abrir este túmulo exige um eu apaixonado. Pois, assim, ele sai em busca do que deseja, num movimento de um amor apaixonante. “Estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles disse: ‘A paz esteja convosco’” (Jo 20, 19). Aqui os discípulos enfrentam o medo com a paz do Senhor para ir anunciar o perdão dos pecados. A verdadeira experiência do Ressuscitado exige a passagem do medo para a paz e da paz para a missão. “A Igreja ‘em saída’ é uma Igreja com as portas abertas” (EG. n. 46). Pois, odor dos discípulos missionários são àqueles que “contraem assim o ‘cheiro de ovelha’, e escutam a sua voz” (EG, n. 24), seu clamor.

O amor do Ressuscitado é o desejo da vida elevado em sua máxima potência. A potência do Bem. A ressurreição é a expansão do amor apaixonante de Jesus na cruz. Pois, quem amou tanto não podia ser vencido pela morte. Assim, a história não acabou. O túmulo vazio é sinal de sua Presença. Ele “vos precede na Galileia; é lá que o vereis” (Mt 28, 7). A Galileia é o cotidiano da nossa vida. Aleluia, Ele vive para sempre!!!  

Renaldo Elesbão 

Antônio Jonhes


"Fazer o bem sempre,

o bem a todos e o

mal nunca e a ninguém"

São Luís Orione

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