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OS CAMINHOS SANTOS DE UMA SEMANA

 

Anuncia-se a grande semana, a SEMANA SANTA. Considerada ao longo da história como a semana mais eloquente da mensagem cristã, porque integra o mistério pascal. Nesta semana, celebramos os últimos dias da vida terrena de Jesus Cristo, que ao longo dos séculos  foram revividos com ardor e muita fé pelos cristãos do mundo inteiro. Sua celebração mais organizada e autêntica, encontramos na narrativa de uma peregrina, Egéria, que descreve esta semana, com todos seus detalhes na comunidade de Jerusalém. Podemos conferir: “Novamente, em nome de Deus, decorrido bastante tempo, quando já fazia três anos inteiros desde que chegara a Jerusalém, vistos também todos os lugares santos a que me dirigira para orar, e sendo já minha intenção voltar à pátria, quis ainda, por ordem de Deus, ir também à Mesopotâmia da Síria. (Peregrinação, XIII)

Aos poucos, ao longo dos séculos, foi se ordenando as liturgias da Semana Santa, como a semana mais espiritual do Ano Litúrgico, onde os fiéis acorrem numerosos para as celebrações e vive cada dia intensamente, em celebrações criativas, populares e altamente místicas, propiciando um grande reavivamento da nossa fé.

 

RAMOS E HOSANAS: UMA GRANDE FESTA

 

O início da Semana Santa, quando ainda estamos em plena quaresma, se dá com a Celebração de Ramos e da Paixão do Senhor. Neste ritual duplo da cerimônia, encontramos dois diferentes sentimentos que se encontram. O primeiro ritual é referente aos Ramos, onde recordamos a multidão acolhendo Jesus nas estradas de Jerusalém e depois nas ruas desta cidade. Podemos imaginar a euforia do povo, a felicidade de seus compatriotas, como verdadeiros foliões da alegria. Mas não é menos notável a irritação e o nervosismo das autoridades, que veem o povo se sublevar e irritar os sacerdotes do templo e os poderosos dos palácios. O povo faz a festa e reconhece a grandeza de Jesus. Tão grande que não precisa de um mutirão de soldados e cavalos adestrados. Basta-lhe um pequeno jumento, um animal que destaca sua humildade e sua grandeza humana.

Na liturgia, encontramos três modelos de procissão, indo da mais solene e longa, que implica numa caminhada de um local mais distante até o templo, com cantos e encenações até a mais simples, onde os fiéis ficam todos na própria Igreja e a procissão se dá internamente, movimentando-se apenas os próprios ministros da celebração e seu presidente. Cabe às comunidades considerar uma das três modalidades da procissão, conforme o tempo, a disposição geográfica do templo e, mais que tudo, o envolvimento dos fiéis. É importante fazer as procissões em todas as celebrações, conforme a possibilidade, evitando que as celebrações tenham diferenciados tons de solenidade. Todos os fiéis, em todos os horários, devem usufruir da riqueza destes ritos.

Nos dias que se seguem, segunda, terça e quarta, são considerados os dias que Jesus esteve na cidade, onde confrontou-se com as autoridades, pregou a Boa Nova e realizou milagres. Nestes encontros, foi indagado pelos sacerdotes sobre sua messianidade e também pelos governantes sobre seu reinado. Suas respostas confundiram estes poderosos que decidiram condená-lo à pena capital.

Nas comunidades camponesas e nos pequenos povoados de modo particular, nestes dias realizam-se procissões, como também liturgias típicas da religiosidade, como o Ofício da Trevas, a Liturgia das Sete Dores de Maria ou a Liturgia das Sete Palavras.

 

TRÊS DIAS, UMA CELEBRAÇÃO

Na manhã da Quinta feira Santa, celebra-se a Missa dos Santos Óleos, na qual os óleos sacramentais são benzidos pelo bispo, em concelebração com seus padres. Nesta celebração matinal realiza-se ainda a renovação das promessas sacerdotais e enaltece a unidade do clero ao redor de seu pastor.

Nas Igrejas primitivas, este dia realizava-se os exorcismos, preparando os neófitos para a iniciação cristã. A celebração da noite desta quinta feira contempla os rituais da lavação dos pés e a instituição da eucaristia. Refere-se à noite da última ceia de Jesus quando num gesto de humildade lavou os pés dos discípulos e instituiu o sacerdócio: “fazei isto em memória de mim”. Naquela noite trágica de sua paixão, Jesus foi levado pelos soldados para a prisão depois de chorar sangue no Horto das Oliveiras. Neste mesmo espírito, a comunidade se reúne ao redor do Cristo Eucarístico, fora do tabernáculo e do altar tradicionais e ficam em vigília, como os discípulos que ficaram perdidos e vigilantes, com Maria, assustados com a prisão do Mestre. Jesus é levado, condenado sumariamente e recebe sua pesada cruz. Segue as trilhas do calvário e é crucificado no Gólgota. Morre depois de horas de aflição e humilhação na cruz. Levado ao sepulcro, nele permanece por longas horas.

Esta ritualidade é vivida na Celebração de Lava-pés e da Ceia do Senhor, com grande solenidade e na procissão com o Santíssimo para um altar improvisado e secundário, para as longas horas de adoração. Todo o povo segue em adoração, retiro espiritual e se prepara para a Celebração da Paixão do Senhor, no entardecer, combinando com a aflição de Jesus e sua morte. Seguem as procissões e as estações celebradas e mesmo encenadas nas comunidades.

A alegria da ressurreição é revivida na Vigília Pascal, sobretudo na Benção do Fogo Novo, representando a luz divina sobre o mundo, o anúncio da Ressurreição, na Proclamação da Páscoa, na liturgia da Palavra, que conta a história da salvação, como faziam os antigos hebreus, a celebração do Batismo, com a bênção da água e finalmente a Ceia Eucarística.

Assim era a cerimônia, nos primeiros séculos:

“Ao cantar do galo, rezar-se-á, primeiramente, sobre a água. Deve ser água corrente, na fonte ou caindo do alto, exceto em caso de necessidade; se a dificuldade persistir ou se tratar de caso de urgência, deve-se usar a água que encontrar. Os batizandos se despirão e serão batizadas, primeiro, as crianças. Todos os que puderem falar por si próprios, falem; contudo, os pais ou alguém da família falem por aqueles que não puderem falar por si mesmos. Depois batizem-se os homens e, por último, as mulheres (que deverão estar de cabelos soltos e sem os enfeites de ouro e prata que levaram)”. (Tradição Apostólica. N. 17)

Eis porque falamos de uma única e grande celebração, pois na verdade, a Grande Missa se inicia com a saudação na Quinta feira Santa e termina sem a benção. Igualmente na sexta feira, não há nem saudação inicial e nem bênção final e na Vigília Pascal, que se inicia com a bênção do fogo, sem saudações, termina com uma grande bênção solene.

Vejamos este magnífico testemunho da comunidade primitiva de Jerusalém:

“No sétimo dia, isto é, no domingo, antes do cantar dos galos, reúne-se, tal como ocorre na Páscoa, a maior multidão possível nesse lugar, na basílica situada junto à Anástasis, do lado de fora, entretanto, onde há luzes para a cerimônia; porque todos, temendo não chegar antes do canto dos galos, chegam mais cedo e aí se assentam; e entoam hinos e antífonas e dizem orações a cada hino e a cada antífona. Sacerdotes e diáconos estão sempre prontos, nesse local, para as vigílias, por causa da multidão que aí se reúne; pois, segundo o costume, não se abrem os lugares santos antes dos galos cantarem”.(Peregrinação de Egéria, n. 8)

Uma grande celebração, pois é um grande mistério, o mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus.

 

ESTAMOS SALVOS

Parece a sensação de um jogo, onde todos parecíamos perdedores e no momento final, um ponto espetacular marca a reviravolta e a vitória de todos. Assim, quando parecia que tudo estava perdido e mesmo desesperador para os apóstolos, amigos e discípulos que seguiram Jesus, a vitória de Jesus sobre a morte marcou um novo início de um novo tempo. A vitória da vida, a vitória sobre a morte a força da esperança. As celebrações do Domingo de Páscoa assinalam esta grande reviravolta no destino da humanidade. Deus está vivo. Aleluia. É Páscoa, Deus está vivo.

 

 

Cristo está ressuscitado!

As angústias fenecem como folhas de outono

As dores se suavizam como ecos de trovões

As mágoas são vencidas pelo perdão

São os frutos de um novo amanhecer

Quando a pedra do túmulo desabou

E a vida venceu a morte.

 

Feliz Páscoa!

 

 

Prof. João H. Hansen - Pe. Antônio S. Bogaz – Pe. Rodinei Thomazella

Família orionita – da Pequena Obra da Divina Providência


"Fazer o bem sempre,

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mal nunca e a ninguém"

São Luís Orione

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