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MARIA, O SACRÁRIO DO CORPUS CHRISTI

Uma das solenidades mais populares da nossa tradição religiosa é a Festa de Corpus Christi. Isso se comprova com a quantidade de cerimônias que ocorrem em todas as comunidades paróquias, capelas e cidades. Coisa maravilhosa é ver os fiéis preparando, com carinho e entusiasmo, os tapetes na madrugada daquela quinta feira maravilhosa. Algumas cidades são famosas por seus tapetes longos, coloridos e belíssimos. Os símbolos que decoram as estradas se referem à vida eucarística da comunidade, pois unem os símbolos tradicionais com suas releituras dos mistérios a partir de sua cultura e de sua própria realidade. Igualmente as devoções e o tema da Campanha da Fraternidade entram no roteiro dos desenhos e suas pinturas nos tapetes da procissão.

 Que mistério é este, tão elevado e celebrado pelas comunidades? Pensemos na Arca da Aliança, quando os hebreus levavam o tabernáculo sagrado com as tábuas da Lei, proferidas por Deus a Moisés. A arca, também conhecida como tabernáculo é um depositário sagrado da Aliança. Assim, Cristo é nossa eterna Aliança e Maria é seu sacrário, pois o traz no ventre e o entrega à humanidade. Reverenciamos Maria, o sacrário do Corpus Christi, pois ela traz no seu ventre o Filho de Deus, desde a sua encarnação. É o grande mistério de nossa fé.

 

UMA SOLENIDADE SECULAR

 

Corpus Christi é o título dado a um movimento eucarístico, que teve seu apogeu no século XII. Desde os primórdios do Cristianismo, os fiéis adoram o Corpo de Cristo e prestam-lhe reverência na Ceia Eucarística e nos rituais litúrgicos.  No entanto, quando os movimentos espiritualistas explodiram em alguns países europeus, sobretudo França, Espanha e Itália, os católicos iniciaram as manifestações públicas para enaltecer a presença eucarística de Cristo no pão e vinho consagrados. As procissões tornaram-se gigantescas e foram sustentadas pela religiosidade popular e valorizadas pelos Congressos Eucarísticos que se espalharam por toda Europa e outros continentes.

Trata-se de uma celebração que ocorre na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade e se realiza, para além da sua entoação folclórica, como uma profissão de fé na presença real de Jesus Cristo na eucaristia. Como vimos, sua origem está no movimento eucarístico da Idade Média, como gesto ritual de elevar a hóstia após a sua consagração, na celebração eucarística. Assumido oficialmente pela Igreja, esta solenidade torna-se no missal romano a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo celebrada até nossos dias.

UM SACRÁRIO MISTERIOSO

Maria é o sacrário místico deste mistério da presença de Cristo nas espécies eucarísticas. Através de Maria, entendemos as dimensões fundamentais desta celebração tão harmoniosa e iluminada.

Em primeiro lugar, o mistério nos reporta ao passado, no qual representa o memorial do mistério pascal. Voltamos no tempo e revivemos o verdadeiro sacrifício de Cristo, quando realizou, por amor, sua oferenda ao seu povo. Maria estava a seu lado e participou de sua missão sacerdotal.

Depois, entendemos que presente, revela o sacramento da unidade entre Cristo e o universo, entre Cristo e a humanidade. No ventre de Maria, como no altar da Eucaristia se realiza a unidade e a fraternidade dos homens. É o mistério da salvação que se estende a todos os povos.

Num terceiro momento, desvelamos o futuro. Toda humanidade será cristificada, será transformada em Cristo; num povo de irmãos, alimentado pelo Corpo do Senhor, que humaniza nosso Deus e diviniza em Cristo todos os seres humanos.

 

NAS PÁGINAS DA BÍBLIA

 

Nas passagens evangélicas, encontramos a presença de Maria como primeiro tabernáculo do filho de Deus. Semelhante ao povo que carregava no deserto a Aliança sagrada, numa arca construída com preciosas madeiras e pedras valiosas, Maria é o sacrário divino que caminha com Jesus vivo e verdadeiro pelas estradas e montanhas da Galileia para levar seu tesouro para se encontrar com Isabel, que traz no ventre o Precursor.

Esta é a gênese bíblica desta Solenidade. Este mesmo Cristo se faz pão eucarístico e se entrega pela humanidade. A Eucaristia é o grande mistério em nossas procissões. Por esta razão é o Corpo de Cristo que é levado altaneiro em nossas procissões. Os textos bíblicos se referem a este mistério: Assim, “os textos bíblicos apresentam no ciclo dos três anos (ciclos A, B e C) o sentido da eucaristia, como dom de Deus ao seu povo a caminho rumo à libertação.

A liturgia deste Ano A, destaca a relação entre o dom do maná no deserto, oferecido como alimento para a caminhada do povo (Dt 8,2-3.14-16a) e o corpo de Cristo, oferecido como pão vivo, que desceu do céu, para a salvação e libertação de toda a humanidade (Jo 6,51-59).

No Ano B, por sua vez, são relacionadas as duas alianças bíblicas. A última ceia como instituição do mistério eucarístico para a vida da comunidade dos fiéis (Mc 14,12-16.22-26) é descrita a partir da aliança do Sinai, simbolizada no sangue que Moisés asperge sobre o povo (Ex 24,3-8).

O Ano C, por sua vez, reflete a relação mais vivencial do mistério eucarístico, unindo sua mensagem ao milagre da multiplicação dos pães (Lc 9,11b-17) e relaciona o sacerdócio de Jesus que abençoa e partilha o pão, com o sacerdócio vetero-testamentário de Melquisedec, que oferece o pão e o vinho. Existe uma referência muito clara entre os dois personagens na sua ação sacerdotal em favor do povo, sobretudo dos pobres, com  os quais o pão é partilhado” (A.S. Bogaz. Tempo Comum e as festas dos Santos. Paulus).

 

NOS TAPETES FLORIDOS E NAS VIELAS DOS POBRES

 

Quando o Cristo caminha, glorioso e solene, entre os tapetes das ruas enfeitadas pelos fiéis devotos e pelas comunidades animadas e cheias de fé, Ele passa por nossas ruas, pelas casas de seu povo pobres, pelas calçadas dos mais humildes. Ele visita seus fiéis para conhecer suas alegrias e suas tristezas. Ele toca os esgotos abertos, as casas empobrecidas e seus filhos esquecidos. De fato, a procissão de Corpus Christi  eleva a importância da eucaristia na vida da comunidade, que sempre foi realizada com grande solenidade manifestando o apreço da comunidade. Mas ao mesmo tempo serviu para se aproximar da vida cotidiana de nossos irmãos.

Do ponto de vista da solenidade, nós últimos séculos, esta procissão se tornou um cortejo triunfal de ação de graças. É um ritual que exalta o mistério eucarístico. Sua função é manifestar publicamente a fé na presença real de Jesus nas espécies sagradas.

Com a nova perspectiva sacramental e eclesial do Concílio Vaticano II, é a unidade do povo, em comunidade, com o seu Senhor e o compromisso cristão que se nota na caminhada do povo em marcha e o compromisso com os irmãos mais sofridos. É a Solenidade do Corpo de Cristo e o ritual da fraternidade. Celebrar Corpus Christi é professar que Ele está presente na Eucaristia e que nós o adoramos no sacramento do altar e o abraçamos nos irmãos, em todos, mas especialmente nos mais pobres.

 

Prof. João Henrique Hansen - Pe. Antônio Sagrado Bogaz – Pe. Rodinei Thomazella

Da família de São Luís Orione - Orionitas

 

 

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PARTICULAS EUCARÍSTICAS

 

Creio em Jesus presente nas partilhas solidárias do cear

Seu corpo é vivente no sacramento da esperança do altar

Suas partículas se espalham nos pobres em estradas da periferia

Creio em Jesus, Deus amor, partículas da eucaristia

 

Creio em Jesus presente na partilha fraterna do cear

Seu corpo é vivente no sacramento das profecias do altar

Suas partículas renascem nas crianças em fome e agonia

Creio em Jesus, Deus menino, pão da alegria

 

Creio em Jesus presente na partilha convivial do cear

Seu corpo é vivente no sacramento regenerador do altar

Suas partículas se fortalecem nos corredores dos hospitais

Creio em Jesus, Deus salvador, fonte da paz

 

Creio em Jesus presente na partilha generosa do cear

Seu corpo é vivente no sacramento fortificador do altar

Suas partículas rejuvenescem os idosos em abandono de casarões

Creio em Jesus, Deus eterno, alimento dos corações

 

Creio em Jesus presente na partilha amigável do cear

Seu corpo é vivente no sacramento reconciliador do altar

Suas partículas se elevam nos entristecidos em agonia nas calçadas

Creio em Jesus, Deus pão da vida, nas partículas consagradas.

 

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