Portal da Família ORIONITA NO BRASIL
isntitucional
Portal da Família ORIONITA NO BRASIL

Reflexão sobre a vida mística de São Luís Orione

 


“Escreverei minha vida com as lágrimas e com o sangue”

 

O tema escolhido para a Peregrinação da Relíquia do Sangue de Dom Orione é uma frase tirada do famoso hino “Almas! Almas!”, composto pelo nosso Santo: “Escreverei a minha vida com as lágrimas e com o sangue”.

Sobre este hino, bem definido como um “hino programático de Dom Orione”, redigido apenas um ano antes da sua morte (1939), foi publicado um artigo na Revista “Messaggi di Don Orione” (n. 114 Ano 2004/2, pag. 67 – 76), de autoria do Pe. Alessandro Belano. No seu escrito, Pe. Belano focaliza a importante dimensão da expiação vicária na mística de São Luís Orione.

A leitura deste texto, com a transcrição do hino “Almas! Almas!”, pode nos ajudar a compreender melhor o sentido e os benefícios da peregrinação da Relíquia do Sangue de Dom Orione que se uniu, por uma particular e santa intuição, ao Sangue de Jesus derramado em favor da humanidade. Além disso, pode nos ajudar a ler a frase-lema da Peregrinação não somente e nem tanto na sua expressão poética, muito mais como expressão-síntese de uma vida toda de Deus e, por isso, toda das Almas e para as Almas.

Boa leitura, com proveitos de santidade!   Pe. Tarcísio.

 


 

“Almas! Almas!”

Com paixão redentora, com holocausto redentor, a expiação vicária em São Luís Orione

 

 

Uma reflexão sobre a vida mística de São Luis Orione:

a conformação a Cristo leva-o à mesma paixão redentora até o extremo de compartilhar a oferta de si mesmo em expiação vicária pela salvação das almas

 

 

Alessandro Belano*

 

 

Numa surpreendente página de São Luís Orione, fundador da Pequena Obra da Divina Providência, encontram-se algumas afirmações que suscitam no leitor sentimentos de desconcerto e de admiração. O escrito em questão é uma composição de fevereiro de 1939, no qual o Santo, um ano antes da sua morte, ocorrida em Sanremo no dia 12 de março de 1940, condensa admiravelmente todo o seu amor pelas almas num entrelaçar de poesia, de fé e de zelo apostólico[1]. Trata-se de uma das páginas mais impressionantes de Dom Orione, um trecho que não ficaria de fora de uma ideal antologia de escritores místicos. Eis algumas passagens.

Almas de pequenos,

almas de pobres,

almas de pecadores,

almas de justos,

almas de transviados,

almas de penitentes,

almas de rebeldes à vontade de Deus,

almas de rebeldes à Santa Igreja de Cristo,

almas de filhos degenerados,

almas de sacerdotes desventurados e pérfidos,

almas sucumbidas à dor,

almas brancas como pombas,

almas simples, puras e angélicas de virgens,

almas mergulhadas nas trevas dos sentidos e na baixa bestialidade da carne,

almas orgulhosas do mal,

almas ávidas de si e que só veem a si próprias,

almas sem rumo a procurarem caminho,

almas adoloradas e a esperarem algum refúgio e uma palavra de comiseração,

almas ébrias pelo gozo da verdade divina: são todas amadas por Cristo, por todas Cristo morreu, a todas Cristo quer salvar entre seus braços e no seu coração transpassado.

 

A nossa vida e toda a nossa Congregação

deve ser um único cântico e um holocausto

de fraternidade universal em Cristo.

Ver e sentir Cristo no homem.

Devemos ter em nós

a música profundíssima da caridade.

Para nós, no ponto central do universo

está a Igreja de Cristo e

o sustento da existência cristã, a alma.

 

Eu, outra coisa não sinto, senão uma infinita sinfonia, uma divina sinfonia de espíritos

a palpitarem em torno da Cruz.

E a cruz destila para nós, gota a gota,

pelos séculos a fora,

o Sangue divino derramado por cada uma das almas.

Do alto da Cruz Cristo grita “Sitio!” “Eu tenho sede”.

Terrível grito de ardência que não é da carne,

mas que é sede de almas,

e é bem por essa sede de nossas almas que Cristo morre.

 

Eu não vejo senão um céu,

um céu verdadeiramente divino

e que é o céu da salvação e da verdadeira paz.

Eu não vejo senão um Reino de Deus:

é o Reino da caridade e do perdão;

nele toda a multidão dos povos

é herança de Cristo e Reino de Cristo.

 

A perfeita alegria não pode estar

em nenhuma outra parte, senão na perfeita entrega de si mesmo aos homens,

a todos os homens,

aos física e mentalmente deformes,

aos mais distanciados, aos mais culpados e aos mais contrários.

 

Atira-me, Senhor, à soleira do inferno,

para que eu por tua misericórdia, feche as portas do abismo.

Que o meu secreto martírio para a salvação das almas,

de todas as almas,

seja o meu paraíso, a minha bem-aventurança imensamente grande.

Amor às almas, almas, almas!

Escreverei minha vida com as lágrimas e com o sangue.

 

A injustiça dos homens não enfraqueça

nossa confiança plena na bondade de Deus!

Eu sou alimentado e conduzido

pelo sopro de esperanças imortais e renovadoras.

 

A nossa caridade é um doce e tresloucado

amor de Deus e dos homens,

um amor que não é desta terra.

A caridade de Cristo é de tanta doçura, é tão inefável

que nosso coração não pode pensar, nem expressar,

nem os olhos ver, nem os ouvidos ouvir.

 

Palavras de fogo.

Sofrer, calar, rezar, amar, ser crucificado e adorar.

Luz e paz de amor.

Subirei meu calvário como um cordeiro manso.

Apostolado e Martírio; Martírio e Apostolado.

Nossas almas e nossas palavras

devem ser brancas, castas, infantis até,

e devem transmitir

o sopro da fé, da bondade e do conforto

que leva a Cristo.

 

Tenhamos firme o olho e o coração na bondade de Deus.       

Edificar Cristo! Edificar sempre!

"Petra autem est Christus!".[2]

 

Estas altíssimas expressões constituem uma espécie de confissão mística, um supremo testamento de amor, uma manifestação singular, e poder-se-ia dizer, paradoxal, daquele amor pelas almas que todos os santos sentiram no decorrer de sua existência terrena. Na história do cristianismo leem-se numerosas imitações deste amor extremo, manifestado no desejo e até mesmo na promessa de sacrificar a própria salvação pela salvação do outro. É a história de almas nobres que, aos nossos olhos, parecem imprudentes, mas que se declaram disponíveis a aceitar até um abandono da parte de Deus, sob a condição de alcançar a salvação dos irmãos. Nesta atitude, expressão de uma específica vontade de expiação vicária, “nos encontramos diante do paradoxo absoluto do amor cristão” (Hans Urs von Balthasar).[3]

No contexto desta espiritualidade superlativa situa-se esta profunda página de Dom Orione, “uma das páginas mais bonitas, talvez a mais bonita” (Giovanni Venturelli) que condensa “palavras de fogo e dignas dos mais altos místicos” (Domenico Mondrone). Escreve o literato Giuseppe De Luca: “Consideramos estas quatro páginas o resíduo sobre o papel de uma hora de oração; a tentativa de salvar, com a tinta e de modo obscuro, uma recordação de afetos, uma passagem de luz, um flash de momentos fortes que explodiram no silêncio e foram caindo depois calmamente sobre o papel, como cai uma noite entre as árvores da floresta. Não digo de um leitor simples, digo de um especialista em textos espirituais e místicos, que ele não conseguirá não ficar tocado por algumas destas frases, abrasadoras e incandescentes, que num determinado momento perdeu o uso das maiúsculas, dos parágrafos e das regras de pontuação; e permaneceram no papel como na desordem de um sangue que flui e cai de uma ferida repentina; arranjadas pelo sopro do vento, elas se tornaram estrofes”.[4]

Sede de almas

Este desejo das almas é uma das mais importantes e evidentes características da espiritualidade orionita. Dom Orione desejou salvar todas as almas que o Senhor colocasse no seu caminho. Na sua ânsia apostólica era particularmente preocupado com os irmãos mais distantes e, espiritualmente, mais necessitados. Uma vez disse a um dos seus sacerdotes de Veneza: “Colocaria minhas mãos no inferno para resgatar as almas”.[5] Análoga expressão encontramos no testemunho de Pe. Giuseppe Zambarbieri, incluído no processo de beatificação. Segundo o seu testemunho, Dom Orione falando um dia da sua solicitude para com os irmãos perdidos e abandonados, disse: “Se o Senhor me permitisse ir ao inferno, num sopro de amor e de caridade, eu gostaria de atuar também lá”.[6]

São palavras que revelam um entendimento profundo e amadurecido: não se trata de devaneios de retórica orionita, mas de uma explícita e decidida vontade de ir ao encontro de todas as almas para conquistá-las para Cristo e para a Igreja, mesmo pagando o preço da oferta da própria vida. Não faltam confirmações disto. Por ocasião da sua “Primeira Missa” (14 de abril de 1895), Dom Orione tinha pedido a graça de ser o padre daqueles que não vão à igreja, implorando secretamente a Deus que salvasse todas as almas que, de algum modo, entrassem em contato com ele. Muitos anos depois, foi o próprio Dom Orione que contou este detalhe no decorrer de uma pregação na cerimônia de profissão das Irmãs: “Na primeira Missa eu pedi que todos aqueles que, por algum motivo, entrassem em contato comigo, se salvassem”.[7]

Temos, a esse respeito, outros preciosos testemunhos, todos de altíssimo valor. Escreve Pe. Carlos Sterpi, coetâneo, confidente e seu primeiro sucessor: “Foi na sua primeira Missa que Dom Orione pediu a graça da salvação para todas as almas que encontrasse no seu caminho...”.[8] Assim também atesta o conde Agostino Ravano, ilustre benfeitor genovês que teve uma longa e próxima amizade com Dom Orione: “Contou-me o Servo de Deus que no dia da sua Ordenação sacerdotal, ele pediu ao Senhor de salvar o maior número possível de almas, e mais ainda as almas de todos aqueles com os quais falaria, trataria ou encontraria, também pela estrada”.[9] O amigo e confidente Eng. Paolo Marengo declara: “Como graça particular, durante a celebração da primeira Missa, Dom Orione pediu a Deus a salvação das almas de todos aqueles que, por qualquer motivo, atraíssem, mesmo que por um só instante, a sua atenção, de todos os que fossem motivo para o seu pensamento, que todos fossem salvos...”.[10]

A graça pedida por Dom Orione por ocasião da sua primeira Missa coloca no centro da sua espiritualidade a sede de Cristo pelas almas, numa perspectiva cristológica e, ao mesmo tempo, soteriológica e eclesial. E quis implorar a salvação das almas oferecendo a si mesmo. E não pediu de modo gratuito: não fez uma solicitação ditada pelo entusiasmo, uma aspiração bonita mas estéril. Ele pagou isso pessoalmente, imolando-se pelas almas durante toda a sua vida.

Poderíamos questionar se este modo de pactuar com Deus não seria uma presunção descabida, um desafio temerário. Mas é a lógica dos santos: “O testemunho citado poderia induzir a definir como absurdas as solicitações feitas pelo jovem sacerdote Luís Orione ao Senhor, ou a considerar presunçosas ou loucas as ousadias da sua oração. Somente Jesus, podia dizer ao Pai que salvou “todos aqueles que lhe tinham sido dados”. Por isso, não é difícil compreender que, no pedido de Dom Orione, existe e deveria existir algum pacto excepcional. Ele pediu muito, porém se dispôs a dar muito; quer a salvação de todos e se oferece totalmente para alcançar isso; abandona-se totalmente como vítima a Deus desde que faça dele a vítima para os irmãos. Parece querer desafiar Deus a fazê-lo sofrer, penar, morrer de dor, sob a condição de um pacto: que as almas, todas as almas sejam salvadas por aqueles sofrimentos, por aquela sua “morte”: é o preço que é possível dar, e ele dá plenamente, para que alcancem o Paraíso” (Amerigo Bianchi).[11]

Numa estupenda reflexão-oração, escrita por Dom Orione em 1917, no folheto semanal Il Vangelo encontramos análoga compreensão que lança um ulterior facho de luz sobre este zelo apostólico na perspectiva expiatória: “A razão de ser do Sacerdote é salvar as almas, ir em busca, especialmente, daquelas que, distanciando-se de Deus, se colocaram no caminho da perdição. Para com elas, eu devo ter uma preferência, não só de amizade, mas de paternal conforto e de ajuda para que retornem ao seu Pastor, e para isso, se necessário, é preciso deixar as almas menos necessitadas dessa assistência. Jesus não veio para os justos, mas para os pecadores. Preservai-me, pois, ó meu Deus, da funesta ilusão, do diabólico engano, que eu padre deva ocupar-me só de quem venha à igreja e aos Sacramentos, das almas fiéis e das mulheres piedosas. Com certeza, meu ministério seria mais fácil, mais agradável, mas eu não viveria aquele espírito de apostólica caridade para com as ovelhas extraviadas, que brilha em todo o evangelho. Somente quando eu estiver esgotado e três vezes morto de tanto correr atrás dos pecadores, só então poderei buscar algum repouso entre os justos. Que eu não esqueça jamais que o ministério que me foi confiado é o ministério da misericórdia, e que eu use sempre para com meus irmãos, os pecadores, um pouco da caridade desmedida que tantas vezes usastes para comigo, ó grande Deus...”.[12]

 

Almas! Almas!

Esta dimensão oblativa, no sulco da oferta sacrifical pela salvação das almas, pode ser encontrada em outros significativos momentos da vida de Dom Orione. Em 1897, dois anos depois da sua ordenação sacerdotal, Dom Orione está participando de um curso de exercícios espirituais em Tortona. Na data de 26 de agosto ele compõe um Regulamento de vida com o qual pretende, daquele momento em diante, regular a sua existência “como um segundo batismo”. Para tal, estabelece que observará para o resto dos seus dias uma série de 30 regras que ele mesmo redige. Trata-se de um “manifesto” de alta espiritualidade, caracterizado por um empenho ascético verdadeiramente impressionante. As últimas duas regras são as que mais nos interessam:

“XXIX: Amarei as Almas e o Papa com todo o meu ser até morrer por eles, mil vezes por minuto, de amor e de sacrifício e de trabalho em tudo e por tudo.

XXX: Quero a santa Pobreza e a santa Pureza e a santa Humildade e a santa Penitência e um santo holocausto de mim mesmo pelas Almas e pelo Vigário de Jesus Cristo”.[13]

Este desejo vicário para o bem das almas está presente também na sua numerosa correspondência, até mesmo a partir do cabeçalho: é famoso, de fato, que Dom Orione colocava no início das suas cartas o lema programático “Almas! Almas!”, com o qual ele queria caracterizar o seu dizer e agir e o dos seus religiosos e colaboradores leigos.[14] Em 2 de março de 1911, escrevendo de Messina para o Conde Roberto Zileri Dal Verme, Dom Orione se exprime: “Buscarei estar impregnado de caridade por dentro e por fora, aniquilar-me para a saúde dos irmãos e para atrair para o amor de Deus e da Igreja as almas e o povo: buscarei rezar e estar bem unido a Nosso Senhor e doar-me inteiramente ao seu amor até o holocausto de mim mesmo – e isto confio fazer com a sua divina graça e colocando tudo nas mãos da Santíssima Virgem e da Igreja”.[15]

Alguns meses depois, este desejo vicário para a salvação das almas foi notificado até mesmo ao Papa: “...Suplico a Vossa Santidade que não rejeite a minha humilde oferta, porque, com a graça de Deus, espero corresponder com mais amor no futuro, e de consumir-me totalmente para servir o Senhor e a Santa Igreja com verdadeira humildade e fidelidade, e a salvar almas, e a dar muitas consolações a Vossa Santidade”.[16]

É de janeiro de 1939 uma outra estupenda página orionita, conhecida com o título “Servir nos homens o Filho do Homem”. O escrito foi construído com o que podemos definir o estilo orionita: palavras densas e ardentes, diretas e sinceras, convictas e convencedoras. O tema da oferta vicária transparece em toda a composição, mas no final atinge o seu vértice místico e poético: “...salvar sempre, salvar a todos, salvar à custa de todo e qualquer sacrifício, com paixão redentora e com holocausto redentor. Nós somos os ébrios da caridade e os loucos da cruz de Cristo crucificado. Sobretudo com uma vida humilde, santa, cheia de luz. Ensinemos os pequenos e os pobres a seguir o caminho de Deus. Viver numa esfera luminosa, inebriados da luz e do amor divino de Cristo e dos pobres e do orvalho celeste, como a cotovia que sai cantando para o sol. A nossa mesa seja como um antigo ágape cristão. Almas! Almas! Tenhamos um grande coração e a divina loucura das almas”.[17]

Sempre em 1939, a poucos meses de distância do encontro com o Senhor, Dom Orione endereça uma carta a dois dos seus “Clérigos caríssimos” internados num sanatório. O escrito expõe os mesmos sentimentos. Encontramos de novo a veia mais pura da espiritualidade orionita, na qual escorrem os temas mais caros ao nosso Santo: a fé em Deus e na sua Providência, o amor a Cristo, cabeça do Corpo místico, a chama da caridade, a imolação pelas almas, o senso eclesial, o desejo ecumênico, a ação e a promoção social: “...Queremos com Jesus e por Jesus viver e trabalhar, num amor santo de caridade, de sofrimento, de consumação de nós mesmos, divina hóstia, divino holocausto da vontade de Deus, na caridade de Jesus Cristo. É isto o que agrada a Jesus: vivendo na morte e trabalhando na dor, imolando nossa vida pelo Papa, pela Igreja, pela santificação do Clero, pelas almas, pela conversão dos pecadores, pela conversão dos infiéis, pela paz no mundo, pelos que choram, pelos que sofrem por causa das injustiças humanas, por todos e para todos: para vencer o mal com o bem!” (Carta de 21 de agosto de 1939).[18]

Seguindo e assumindo o exemplo de Cristo, Rei dos mártires, Cordeiro imolado pela salvação do mundo, estas almas nobres, como São Luís Orione, se assemelharam a Ele, carregando os sofrimentos dos outros e ofertando-se como vítimas pela conversão dos pecadores. Dispostos a tocar o soleira do inferno, se isso fosse necessário para ganhar uma alma, estas figuras brilham com luz própria e se impõem à nossa admiração e imitação. É a caridade de Cristo que escorre, viva, sobre as estradas do mundo e se encarna nos homens e mulheres que decidiram consumar-se com este fogo: “Amar todos em Cristo; servir Cristo nos pobres; renovar em nós Cristo e tudo restaurar em Cristo; salvar sempre, salvar a todos, salvar a custa de qualquer sacrifício, com paixão redentora e com holocausto redentor” .[19]



* Alessandro Belano, sacerdote orionita, Mestre em Sagrada Escritura, oficial da Congregação para a Doutrina da Fé, Roma.

[1] O único estudo sistemático sobre este texto é o pequeno comentário de Filiberto Guala, Sete di anime (Messaggi di Don Orione 4(1972) n. 10). O autor, na introdução, nos revela a gênese do seu escrito: “No final de setembro recebi uma carta de Padre Zambarbieri [3º sucessor de Dom Orione, nos anos 1963-1975]: posso pedir ao Sr. um grande favor para o centenário de Dom Orione? Peço um comentário seu ao texto ‘Almas, Almas’ que envio juntamente com esta minha carta. É uma das páginas mais bonitas (ou a mais bonita!) do nosso Pai e... tão atual, extraordinariamente do Concílio. Em nossa família religiosa ela é bem conhecida (mas não se conhece e nem se aprofunda jamais o bastante), porém pouco conhecida aos amigos; queria apresenta-la para o início do centenário. O Sr. pode fazer-me este favor? Este texto foi recolhido por mim na primavera de 1939. Dom Orione o tinha jogado fora; talvez era fruto de uma meditação sua; sei que aquelas páginas ficaram por muito tempo sobre a sua mesa. Visto que não lhe serviam mais, jogou fora, mas eu as recolhi e dei como recordação ao meu irmão, Ângelo, sabendo que ele ficaria muito contente e guardaria tais folhas com muito cuidado”.

[2] Das anotações de 25 de fevereiro de 1939; cfr. In cammino con Don Orione, Piccola Opera della Divina Provvidenza, Roma 1972, p. 328-330; Aa. Vv., Nos passos de Dom Orione. Subsídio para a formação ao carisma, Dehoniane, Bologna 1996, pp. 257-258.

[3] Hans Urs Von Balthasar, Sperare per tutti (trad. ital.), Jaca Book, Milano 1997, p. 152.

[4] Giuseppe De Luca, Una pagina rivelatrice di Don orione, Nuova Antologia, giugno 1943, p. 13. Referindo-se ao último período epistolar de Dom Orione, Divo Barsotti comenta o seguinte: “Os últimos escritos são de uma verdadeira beleza e deixam transparecer uma perfeição admirável. Não existe místico, neste último século, que tenha chegado a tanta plenitude de caridade, tanta suavidade e humildade”; Don Orione, Maestro di vita spirituale, Piemme, Casale Monferrato 1999, p. 163.

[5] Narrado em Douglas Hyde, Il bandito di Dio. Storia di Don Orione, “Padre dei poveri”, Paoline, Bari 1960, p.115.

[6] Positio, 731.

[7] ADO, Positio Orlandi, 1942, Ia.

[8] Cfr também o testemunho de Pe. Giuseppe Zambarbieri na Positio, p.692 e de Pe. Giovanni Venturelli, Positio, p.1018.

[9] ADO, Posição Sterpi, Ia (carta de 15 de novembro de 1950).

[10] ADO, Miscellanea, A. 7, p. 348.

[11] ADO, Posição Bianchi, IV,1

[12] ADO, Il Vangelo, n. 18 (ano 1917); texto publicado em San Luigi Orione. Meditazioni sul Vangelo, San Paolo Cinisello Balsamo 2004, pp.135-136.

[13] Scritti 57, 45.

[14] Segundo um sumário informático esta expressão, nas variações “Almas, Almas!”, “Almas e almas”, aparece 5.962 vezes no corpus epistolar.

[15] Carta de 2 de março de 1911, Scritti 50, 239.

[16] Carta de 23 de dezembro de 1911, Scritti 127, 123.

[17] O texto está transcrito no In cammino con Don Orione. Dalle lettere, Piccola Opera della Divina provvidenza, Roma 1972, p. 324-327; Lo spirito di Don Orione. Dai suoi scritti, dalla sua parola, presentato ai suoi religiosi, vol. I, Piccola Opera della Divina Provvidenza, Roma-Tortona 1989, p. 89-91. Recentemente foi reproduzido em Nos passos de Dom Orione, cit., p. 319-320. Pelo meu conhecimento não existe um comentário sobre esta extraordinária página orionita.

[18] Carta de 21 de agosto de 1939, Scritti 67, 59.

[19] Scritti 57, 104c.

Envie seu comentário
Nome
Email (não será exibido no site)
Site (http://)
Mensagem
Comentários enviados
  • Maria Alcina de Campos Ferreira em 12/03/2014 as 22:41:05
    Hoje dia de São Luiz Orione. queria que todos tivessem a Graça de poder ler,meditar,e agradecer,a maravilha que são as páginas,inspiradas realmente,pela Graça de Deus. São luiz Orione .rogai por mós

"Fazer o bem sempre,

o bem a todos e o

mal nunca e a ninguém"

São Luís Orione

Mais do Orionitas no Brasil

 

Orionita Brasil nas Redes Sociais
 
 .     

Copyright © Orionitas Brasil na Web