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UM PEDINTE NA PRAÇA

UM PEDINTE NA PRAÇA

O PRECONCEITO DOS ESTEREÓTIPOS

A inquietação, a desconfiança e o desacreditar acabam fazendo de nós, infelizmente, seres humanos que acabam duvidando das pessoas que nos cercam. O estereótipo do pedinte é um exemplo de como temos receio das pessoas. Neste momento em que todos falam do atentado de Paris e do circo em que se tornaram nossos governantes, as pessoas com origem árabe ou parecida com os povos muçulmanos, acabam ficando em casa de medo de serem confundidas com terroristas. Por outro lado, se olharmos algumas destas pessoas, poderemos pensar que elas realmente irão explodir perto de nós e fazer com que o quarteirão, restaurante ou um simples café seja destruído.

Estamos assustados com o que de pior existe na face da terra: a guerra. E este monstro demolidor assume formas diversas, como estes atentados. Por isso, embora estejamos a milhares de quilômetros, quando as pessoas se aproximam de nós, sentimos medo. Na verdade, a violência quer ronda nossas ruas e nossos lares nos deixam assustados. Este é o estereótipo que nos causa horror.

Foi assim que aconteceu. Estávamos na praça esperando mais duas pessoas para fazermos uma visita. Sentamos no banco e ali estávamos tranquilos, quando veio um pedinte, olhou para nós e disse:

- Eu preciso tirar minha filha do hospital.

Olhamos para ele interrogativos.

- Ela fez cirurgia de um câncer. Não tenho dinheiro para pagar a passagem de ônibus para minha cidade.

Claro, que a pessoa tinha cara de pedinte. Estava mal vestido, barba por fazer e uma aparência típica de um pedinte. Mas também poderia ser um ladrão disfarçado. Quem garante o quê neste mundo confuso e complexo.

Perguntamos para ele:

- Que hospital que ela está?

- Santa Casa... Olha moço, é verdade. Estou precisando de dinheiro para voltar para minha cidade com a minha filhinha.

Olhamos um para o outro e neste momento chegou nosso casal de amigos. Ela olhou para nós e perguntou:

- O que ele quer?

- Dinheiro para levar a filha  para a cidade dele.

Contamos a história rapidamente e o pedinte continuava ali perto da gente.

O marido de nossa amiga colocou a mão no bolso e falou para nós:

- Vamos dar uma ajuda para o pobre homem;  pode ser?

Olhamos um para o outro, a mulher olhou mais desconfiada do que nós para o marido e todos nós demos a esmola ao pedinte.

Ele recebeu e sumiu, literalmente; sumiu da praça. Começamos a fazer nossa travessia até onde estavam nos esperando.

- Sabe – disse ela – eu acho que este golpe está muito velho e vocês ainda acreditam.

- E como vamos saber se é verdade? – disse o marido.

- Não vamos saber nunca. Mas é claro que é golpe, vocês ainda acreditam nisso, daqui a pouco a gente encontra no bar bebendo pinga ou fumando crack.

- Que tamanha má-fé. Temos que acreditar ainda nas pessoas.

Ponderamos os dois lados. Na realidade é o mesmo que andar depois de um ato terrorista com roupas ou rostos que lembrem os muçulmanos. Certamente poderemos ser parados pela polícia para mostrar documentos.

O fato é que estamos assustados demais para acreditar no outro. Na rua temos receio, como se diz, da própria sombra. Andar na madrugada sozinho, nem sonhando. Parar o carro na esquina e aguardar o semáforo depois da meia-noite é convidar o ladrão para nos assaltar. Estamos vivendo momentos de pânico por todos os lados e todos parecem suspeitos, principalmente à noite. Ajudamos o pedinte e ficamos contentes. Será que ele vai comprar  bebida? Não sabemos; sabemos, porém que pagamos impostos e tem servido apenas para os nossos governantes enriquecerem e esbanjarem com comissionados, fundações fantasmas e outros desmandos. Se o pedinte for desonesto, seríamos roubados apenas mais uma vez.

O fato é que nunca saberemos ao certo se é pedinte ou ladrão, se é verdade o que nos dizem ou se é mentira, cada vez que nos solicitam uma esmola. Devemos, sim, ajudar quem precisa. Nesta hora entre a dúvida e a caridade, preferimos a caridade. Não podemos deixar que os estereótipos dos terroristas e dos governantes desonestos invadam nossos corações. 

 

 

Pe. Antônio S. Bogaz (orionita), doutor em Filosofia, Liturgia e Sacramentos e

Teologia Sistemática - Cristologia

Prof. João H. Hansen, doutor em Literatura Portuguesa e

Ciência da Religião e Pós-doutor em antropologia


"Fazer o bem sempre,

o bem a todos e o

mal nunca e a ninguém"

São Luís Orione

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