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O TEMPO E A ESPERANÇA

CALENDÁRIOS VÃO, CALENDÁRIOS VÊM

 

 

 

 

Fomos fazer uma visita para uma família durante esta semana. O vovô da família está muito doente e aguardava com ansiedade nossa chegada. O neto veio nos receber.

Conversamos, rezamos, fizemos o que sempre fazemos nestas ocasiões: levar um pouco de esperança para uma família que, como tantas outras, atravessam alguns períodos difíceis, como a doença, as adversidades ou o desemprego de um familiar.

A mulher, mais habituada ao lar, ficando em  casa, descobre uma série de coisas úteis para fazer e vencer  a monotonia do tempo. Tanta coisas, como um bolo para o café, arrumar uma roupa que rasgou, limpar as gavetas, lavar a cortina. Estas pequenas fainas cotidianas, apesar de não ser tão interessante, faz com que ela arrume tempo para tudo isso e muito mais e não fique sequer um minuto ociosa. Com o homem, na maioria das vezes,  habituado a não se envolver nestas coisas, perder um emprego e ficar em casa, é um sofrimento que não tem tamanho. É uma grande angústia.

Assim estava nosso jovem amigo, o neto do vovô doente,  desesperado com a falta de emprego. Quando íamos nos despedir, ele tirou o calendário da parede e num gesto impulsivo  disse, enquanto o rasgava em mil pedaços:

- Quero esquecer este ano de 2016. Foi um inferno a nossa vida. Tomara que 2017 seja melhor e eu arrume um emprego e o vovô, coitadinho, melhore...

Falou algo que veio do coração e chorou. Na sua mágoa, tinha a ilusão que ao jogar o calendário velho e pensando, evidentemente, em colocar o outro, num passe de mágica a realidade se transforme.

Mas... há algo mágico no ar com este mudar o calendário. Não sabemos como será 2017. Temos, no entanto,  que ter esperança e a nossa esperança é o que nos movimenta na vida.

É a ilusão de que será melhor e estaremos diante deste momento – iniciando um ano novo (muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender – como diz a música), prontos para grandes mudanças.

Sim, de fato, há esperança de iniciarmos algo diferente e que a família, que é nosso porto seguro e nosso sustentáculo esteja feliz com as novidades, mesmo que no fim  saibamos que são fases na vida que temos que suportar. Temos que ter Deus em nosso horizonte. Ele que nos dá disposição para alcançarmos nossas metas.

Vivemos a crise. Não é a primeira, nem é a maior, superamos tantas crises. Crises pessoais, dramas familiares, crises sociais e políticas. A crise é dolorosa, mas nos faz repensar nossas atitudes. Será que estamos tratando bem as pessoas e como são nossas posturas diante da família? Será que não nos habituamos com gastos excessivos, com abusos do consumismo? Será que não sobra em nossos armários e em nossa barriga o que está faltando para os mais pobres? Será que nos tornamos tolos diante do consumismo? Crise nos ajuda a repensar nossas atitudes.

Um ano termina e começa tudo outra vez. Tantas vezes enquanto houver a vida. Novo Ano é um pacote de esperança, como “um caderno novo no primeiro dia de escola”. Tudo por anotar e inventar. Mas sabemos que, podemos nos surpreender, como aconteceu em 2016. Politicamente vimos de tudo, o que é até bom e consolador. Vimos um pouco mais de justiça, como ex-governadores presos, políticos encarcerados, punição das propinas, empresas que estão fazendo acordos bilionários de multas, mudanças inimagináveis em todos os aspectos, que mudam ou não o cenário político. Deflagrou-se o que todos sabiam: o enriquecimento de nossos políticos e governantes eram mesmo resultado de anos de corrupção e usurpação. Hoje ele andam envergonhados; assim esperamos.

 Bem, o calendário velho foi-se embora. Novo calendário na parede. A felicidade é possível. Rasgue o calendário, mas conserve as boas lembranças e aprenda com as experiências. E depois, teve tanta coisa bonita, tantas maravilhas. Vamos renascer, vamos ver as árvores floridas de novo e espalhando perfume no ar, vamos dizer “bem vindo 2017?”.

 

 

Pe. Antônio S. Bogaz (orionita), doutor em Filosofia, Liturgia e Sacramentos e

Teologia Sistemática - Cristologia

Prof. João H. Hansen, doutor em Literatura Portuguesa e

Ciência da Religião e Pós-doutor em antropologia


"Fazer o bem sempre,

o bem a todos e o

mal nunca e a ninguém"

São Luís Orione

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