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OrionitasEntrevista com o noviço Carlos Alexandre




Muitas pessoas se perguntam se ainda há, hoje em dia, jovens capazes de abandonar uma vida cheia de promessas e abraçar a vida religiosa, entregando suas vidas nas mãos providentes de Deus pelo bem da igreja e do povo. A resposta, obviamente, não é simples. Podem haver muitas razões pelas quais um jovem talvez queira ser religioso. Todavia, Deus continua chamando. E ao seu chamado, muitos respondem sim. A sinceridade de seus corações se faz notar pela alegria no serviço a que estes jovens se propõem. 

A congregação dos Filhos da Divina Providência tem se sentido muito feliz pois, com a graça de Deus, não nos têm faltado vocações. Todos os anos, jovens destemidos e cheios de boa vontade, nos buscam e se consagram ao Senhor através dos votos de pobreza, castidade e obediência. Pode parecer loucura para muitos, mas não é para quem conhece a Jesus. E nEle, tudo ganha sentido novo. Inclusive a nossa própria vida e vocação.

Neste sentido, trazemos aqui uma entrevista com um desses jovens. O noviço Carlos Alexandre Domingues, 19, está ingressando no noviciado, etapa formativa na qual os jovens se dedicam a uma vida de oração mais intensa, e a vida é um tanto mais reclusa. Depois de um ano, os formandos voltam à vida de estudos e trabalhos caritativos na congregação.

Vejamos abaixo alguns trechos desta entrevista.

 

PORTAL ORIONITAS: Conte-nos um pouco de sua história vocacional:

NV. CARLOS ALEXANDRE: Bem desde pequeno já estava envolvido na igreja, quando tinha apenas seis anos de idade ingressei no coral de crianças da paróquia e continuei sempre muito presente, sobretudo nas celebrações eucarísticas.

Com aproximadamente onze anos de idade fui morar na cidade de Campina Grande do Sul onde havia recém chegado o pároco que me acolheu e me convidou para ser coroinha, sendo assim iniciei uma caminhada junto deste padre cujo nome é Laércio Aquino de Oliveira (já falecido) que teve grande peso na minha história vocacional, estive um ano junto dele onde houve um despertar vocacional, mas devido a idade e a minha mudança de cidade acabei deixando essa vontade.

Passado alguns anos tornei a falar com esse padre onde ele me disse que haveria uma convivência vocacional na cidade de Quatro Barras que é município vizinho de Campina Grande, e marcou de irmos até o seminário para eu conhecê-lo e para que ele pudesse me apresentar e eu, meio confuso, aceitei.

Fui, então, visitá-lo, recebi a carta convite, participei da convivência e fui aprovado, morei 4 anos no seminário menor de Quatro Barras e neste ano estou indo para a casa de noviciado.

 

PORTAL ORIONITAS: Quais os maiores desafios de um jovem que quer ser religioso hoje?

NV. CARLOS ALEXANDRE: Vivemos em um sociedade que prega o individualismo, o poder, a riqueza, a fama e tantas outras coisas que vêm ofuscar um chamado ao serviço de Deus, pois fica difícil escutá-lo no meio dessa pressão e desses padrões que a mídia prega.

Vejo como o maior desafio de nosso tempo o enfrentamento a tudo isso na sua escolha vocacional.

Um outro aspecto a ser abordado nesta decisão é o medo, à necessidade que as pessoas têm de ter 100% de clareza para seguir essa vida, o que nem sempre é possível. Quando uma pessoa decide cursar um curso superior, por exemplo, nem sempre ele terá total consciência daquilo que irá fazer, pode ser que depois de ingressar no curso tão desejado, ele veja que este não condiz com ele naquele contexto. O mesmo raciocínio pode ser aplicado à vida consagrada. Não é necessário que escutemos a voz de Deus nos falando “venha”, basta que escutemos o nosso coração, sempre algo falará mais alto!

 

PORTAL ORIONITAS: Por que ser padre orionita?

NV. CARLOS ALEXANDRE: Sou bem sincero em dizer que não conhecia a congregação e muito menos quem era Dom Orione, pela Providência Divina caí em uma casa orionita e fiquei, uma vez que meu primeiro ideal era ser sacerdote independente de onde fosse, e depois de uns anos eu pedi um tempo para a congregação para poder arejar meus pensamentos e dar uma resposta com mais exatidão à vida religiosa, e depois de ter ficado um ano e meio fora do seminário eu pedi para voltar e fui aceito, a questão é por que eu não entrei em outro local já que eu tinha essa liberdade? Realmente posso dizer que a congregação me cativou, porque além de ter me ensinado a ser pessoa humana verdadeira com princípios, foi ela que mais me ajudou nas horas de sofrimento, a Pequena Obra tornou-se  realmente minha família.

 

PORTAL ORIONITAS: É possível ser feliz de verdade sendo um religioso, seminarista?

NV. CARLOS ALEXANDRE: Posso afirmar com plena consciência que não há maior realização do que o serviço prestado à Deus, muitos gostam de rotular aquilo que fazemos ou o que somos, entretanto só sabe a alegria desse serviço quem faz uma experiência verdadeira de entrega e união com Deus , é claro que nem tudo é um mar de rosas, no entanto as alegrias superam todas as enfermidades do cotidiano.

 

PORTAL ORIONITAS: Qual sua mensagem a outros jovens que talvez estejam pensando em trilhar o mesmo caminho?

NV. CARLOS ALEXANDRE: Relmente é desafiador escolher trilhar este caminho. No entanto, todos os caminhos o são. E a você, que tem o desejo, o anseio de ser um religioso, saiba que a caminhada é árdua mas, com certeza, é muito gratificante também. Por isso, não tenham medo de abraçar esta causa, pois o Senhor estará com vocês. E se Ele vos chamar a ser orionita, então sejam bem-vindos!

FOTOS

Noviço Carlos Alexandre fazendo uma oração durante celebração da Palavra no seminário Pio XII de Quatro Barras-PR



Participar com piedade dos momentos de oração é condição fundamental para o amadurecimento da vocação.



Nv. Carlos Alexandre, orionita


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