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São Paulo, São Luís Orione e o Papa Francisco: Três homens, um só desejo!

Por Renaldo Elesbão, orionita

 

Não se pretende, aqui, fazer apologia a vida singular de um desses magnos homens que fizeram e fazem a Boa Nova chegar aos confins da terra. Contudo, se quisermos evidenciar um deles ou os três, não estaríamos exagerando. Devido a vida exemplar desses homens, podemos verificar a presença do Espírito Santo agindo no mundo.

São Luís Orione (1872-1940) é o homem que medeia os outros dois. Dom Orione foi um santo peculiar. Considerado apóstolo da Caridade, pai dos pobres e benfeitor da humanidade. Seu desejo de fazer o bem não cabia em seu coração, por isso, espalhava a todos o amor carinhoso do Pai. Sua vida mostrou e deve mostrar, por meio de seus filhos (as) e suas obras o reflexo do Reino de Deus através da esperança que espalhou.

O coração de Dom Orione queimava de amor pelos pobres e excluídos. Dizia que no mais miserável dos homens brilha a imagem de Deus. Sua linguagem, a partir disso, era a Caridade (=Jesus Cristo). Encarnou em si mesmo o Verbo entre nós e para nós. Todos, pobres e ricos eram incluídos na festa da Igreja, cuja alegria constitui a vida da graça em Cristo.

Desejava está sempre à frente dos tempos. Onde quer que tivesse imagens de Deus sendo desfigurada ia lá e acolhia junto do seu coração palpitante e quente de amor. Palpitava amor e queimava o bálsamo da Caridade divina que abraça e abrange a todos. Para que ao redor da Igreja e do Papa pudesse Instaurare omnia in Christo (cf. Ef 1,10). Os frequentes terremotos o fazia sair de si mesmo e ir. Simplesmente fazia o que Jesus faria. Eis o segredo de Dom Orione. Mais que obras físicas, a sua grande herança é a Obra da Caridade. Dizia o que vivia que, somente a Caridade salvaria o mundo.

Em meio a tudo isso tinha um desejo único, restaurar tudo em Cristo através da Caridade. Esta se identificava com o próprio Jesus Cristo. Dom Orione sabia que não podia fazer nada sem a graça de Deus e, por isso, se confiava a Divina Providência. Abandonava-se nas mãos de Maria, a celeste fundadora, e lançava-se pelas estradas do mundo fazendo o bem sempre, e o bem a todos. Assim, sua consciência experimentava o Sumo Bem, nas ações boas. Constituiu, dessa maneira, a si mesmo como bom. Diziam que ele era o Santo da Caridade. Noutras palavras, vivia Jesus Cristo.

Os terremotos que emergia em seu tempo apavorava a todos, menos a ele, pois saia em buscas das imagens de Deus, os pobres. Pobre para ele era todos aqueles que precisava de Caridade. Não se reduzia simplesmente a pobreza material, mas ia além. Suas obras, hoje, confirmam essa abertura às necessidades mais urgentes. Não definia o pobre, apenas identificava o pobre. Dizia que nas suas obras não se perguntava o nome de quem bate à porta, mas se se tinha dor.

O termo pobre para Dom Orione não se identifica simplesmente com o pobre relativo sem dinheiro, sem comida. Também entendia desse modo.  Mais muito mais além desse conceito. Pobre para Dom Orione eram todos aqueles que precisavam ou que se aproximava com a alma desfigurada pelo afastamento de Jesus e da Igreja. Entendia a Igreja com o lugar da realização do Reino de Deus. As obras que Dom Orione ergueu quis e quer ser fermento na massa, na transformação do mundo em Cristo. Suas obras apontam para os elementos do Reino de Deus.

O pobre passava a ser patrão. Seu coração, de fato, queimava pelos pobres a tal ponto de romper fronteiras. Saia pela América latina construindo, como Paulo, obras para crianças e obras para meninos especiais (os pequenos Cotolengos). Não deixava as comunidades órfãs, mas escrevia sempre. Quem ler as cartas de São Paulo apóstolo sabe quanto é bonito ver a figura paterna de Paulo aos Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios e etc. O lema restaurar tudo em Cristo advém de Efésios 1, 10. São Luís Orione se assemelha a São Paulo tanto em seu programa evangélico como sua forma de conduzir o Evangelho.

Dom Orione queria aculturar-se para salvar as almas, Paulo também. Dom Orione saia a todos os lugares possíveis, com ardor missionário, Paulo também. Dom Orione abria comunidades e escrevia para elas encorajando e exortando, Paulo também. E muito mais.

Em que tem Dom Orione de semelhante com o Papa Francisco?

O desejo de Instaurare omnia in Christo (restaurar tudo em Cristo). Se analisarmos a exortação apostólica do papa Francisco podemos ratificar lá um esboço do programa do Papa. A exortação denominada Alegria do Evangelho é a expressão vital do Papa. Toda (ou quase toda) a exortação aponta para as cartas e a vida de São Luís Orione e, ainda mais, de São Paulo. Pois, quem conhece São Paulo aponta para Dom Orione. E quem ver o papa Francisco inclui-os, Paulo e Orione. Estes três se mesclam em um só desejo. Levar a todos a Boa Nova. Deus é pai de todos e ama a todos.

A expressão em saída, do capítulo I da exortação, indica a famosa frase orionita de sair da sacristia. Dom Orione instigava os seus filhos sacerdotes a não se acomodar, mas sair. Nesse sentido, podemos constatar que Dom Orione queria estar à frente dos tempos e esteve quando queria alargar as fronteiras da Igreja ao diálogo ecumênico e interreligioso. Posteriormente em 62-65 o Concílio Vaticano II proclama a abertura para o mundo inter-religioso. O papa João XXIII na abertura do concílio disse ser necessário abrir as portas da Igreja para respirar ares novos. Isso Indica o nascimento de um novo Kairós (tempo de graça). Oxalá dure para sempre.

O amor de Dom Orione pela Igreja não é fechado as estruturas, mas aberto como um coração de mãe que acolhe a todos. Por isso, desejava levar os pobres a Igreja e a Igreja aos pobres. Nisso constatamos profunda espiritualidade eclesial orionita. Seus filhos devem, por primeiro, possuir e contagiar a todos com esse ardente amor pela reunião celebrativa da vida, em torno de Jesus o bom pastor.

Bem, poderíamos expor várias citações sobre Paulo, Orione e o papa Francisco, mas quem sabe de um poderá conectar inteligentemente aos demais.

Tivemos neste ano uma visita a Mar de Espanha, MG, por ocasião aos cem anos de presença orionita no Brasil, e lá na celebração eucarística, presenciamos, aos mais atentos, evidentemente, um testemunho de uma paroquiana da reflexão apresentada.

Nas preces da assembleia ela, sabiamente, conectou São Luís Orione e o papa Francisco. Este conhecimento é inteligente. A base do elo foi a exortação apostólica sobre a Alegria do Evangelho. Certamente ela lendo a exortação visualizava Dom Orione e suas atitudes como outrora fiz com São Luís Orione (quando era postulante) e São Paulo.

Agora lanço um desafio ao leitor, caso queira corroborar o que propus ligar na reflexão feita, a saber, ler os escritos paulinos, orioninos e do Papa. Este está mais fácil devido seus exemplos tão visíveis.

São homens de um só desejo: restaurar tudo em Cristo. São homens atemporais cujo espaço se atualiza no hic et nunc (aqui e agora) da história. A verdade é universal e perene. Quem a vive vive eternamente. O ontem e o depois repousa no hoje. Constitui, assim, o Agora eterno no Alfa e no Ômega encarnado, Jesus Cristo.

Para ajudar Jesus na construção do Reino do Pai devemos fazer o bem a todos. Através da Caridade, a todos os sofredores, seja pela Palavra seja pelo amor a única coisa que esses homens fazem é o Bem. Sair, abraçar, incluir, exortar, construir e outros verbos acompanham a conjugação do Verbo Amar, Jesus Cristo.  

 

Cl. Renaldo Elesbão é religioso orionita e estudante de teologia

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"Fazer o bem sempre,

o bem a todos e o

mal nunca e a ninguém"

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