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A teologia da montanha segundo o evangelho de Mateus

Estamos iniciando o ano litúrgico correspondente ao ano A. Neste ano, que iniciou no primeiro domingo do advento, temos a oportunidade de ver Jesus Cristo sobre a ótica do evangelista Mateus. Nesse sentido, qual é a teologia de Mateus? Que intenção tem o Evangelista? Que relevância tem o evangelho de Mateus na vida da Igreja hoje?

O evangelho de Mateus foi escrito por volta dos anos 80. Tempo permeado de conflitos judaico-cristão devido a destruição do Templo de Jerusalém pelo império romano. Segue daí o porquê que em Mateus Jesus se encontra em atrito com os fariseus. Mateus era rabino e apresenta Jesus como um judeu pleno na cultura, na mente e na prática. De fato, Jesus foi mais que um judeu ele foi O Judeu porque cumpri em si mesmo as Escrituras. Assim, diz Jesus: “Não penseis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhe pleno cumprimento” (Mt 5, 17).

Para Mateus Jesus é o novo Moisés. Por isso, que o sermão das bem-aventuranças é feito sobre a montanha como outrora fez Moisés. É no alto que Deus se encontra. Pois, “Vendo ele (Jesus) as multidões, subiu à montanha” (5,1). Na realidade a montanha é uma figura de linguagem para dizer da presença de Deus. Deus é o lugar, é o Caminho da vida, isto é, Deus é a montanha. Jesus é apresentado também como mestre, a saber, “Ao sentar-se, aproximou-se dele os seus discípulos. E pôs-se a falar e os ensinava” (5,1-2).

Ele é “filho de Davi, filho de Abraão” (1,1) e segundo o Centurião, representando os não judeus, o “filho de Deus (27,54). Mateus afirma, por isso, ser Jesus o Messias esperado pelos judeus. Pedro profere da seguinte maneira: “Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo” (16,16). De fato, professa Jesus como o Cristo de Deus quem conhece as Escrituras. Jesus é as Escrituras se realizando. Israel, segundo Mateus, deve reconhecer Jesus como o novo Moisés. Por isso, Mateus põe Jesus sempre em diálogo com os fariseus.

Na verdade, nas entrelinhas do evangelho, Jesus é posto como o fariseu modelo. Ele cumpri as Escrituras e ensina os fariseus à respeito da Lei. Assim, exprime os fariseus: “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei? Ele respondeu: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem a Lei e os Profetas” (22,36-40). Jesus sendo o novo Moisés transmite a palavra com autoridade e, devido a isso, denuncia alguns fariseus de “praticarem todas as suas ações com o fim de serem visto pelos homens. Com efeito, usam grandes faixas de trechos das Escrituras nos braços e a na testa e longas franjas na cintura” (23,5).

Então, é implícito que Jesus é apresentado como um fariseu modelo. Agora, é claro que ele é o Ungido de Deus, isto é, o Rei dos judeus e sendo também Filho de Deus é Rei do universo. De fato, ele é, segundo Mateus, citando Isaías, o Emanuel, “o que traduzindo significa: Deus está conosco” (1,23). Para Mateus Jesus deve ser reconhecido como Rei por todos os povos. “Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram magos do Oriente a Jerusalém (2,1). “Ao entrar na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o homenagearam. Em seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra” (2,11). Os magos representam toda a humanidade e os seus presentes sinalizam a humanidade do Filho de Deus. No ouro reconhece a realiza, no incenso a divindade e na mirra a humanidade. Jesus é, portanto, Rei, Deus e Homem.

Há, sem dúvida, uma eclesiologia em Mateus de profunda continuidade com a Tradição judaica. Os elementos originais de Jesus é o fato dele ser a Escritura viva, o Verbo de Deus. Como também o modo de ser mestre é diferente. Jesus passa chamando, ou seja, é itinerante porque ele é o lugar, o templo e o encontro com o Pai dos céus. “Estando ele a caminhar junto ao mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhe: ‘Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens” (4,18-19).

Jesus ensina a vencer as tentações com amor e liberdade diante das coisas e pessoas (4,1-11); ensina a sermos pobres no espírito, mansos, misericordiosos, puros de coração, promotores da paz e a nos consolarmos nas aflições, a esperar a fartura e nos alegrar-nos nos momentos de perseguições por causa do nome de Jesus (5,1-11). E nossa responsabilidade é deixar-nos refletir a luz de Cristo para o mundo e equilibrar o tempero da vida. “Vós sois o sal da terra” e “Vós sois a luz do mundo” (5,13-14).

A oração, por sua vez, deve ser simples e direta com confiança porque Deus é pai (6,9-13). O Pai nos conhece e, por isso, confiamos que nossa vida é protegida e guiada pelo seu Espírito. Porém, “Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus” (7,21).

O evangelho de Mateus é riquíssimo de noções evangélicas, isto é, elementos de uma verdadeira comunidade cristã. A cura do servo de um Centurião aponta para uma Igreja aberta e universal e, portanto, católica (8,5-13). A tempestade acalmada sinaliza as tribulações que o barco, ou seja, a Igreja, passa. Mas, de pé Cristo ressuscitado acalma o mar (8,23-27). A vocação de Mateus é nosso chamado que sentado nas praças da vida esperamos por sentido (9,9). Jesus também, como os fariseus, usa franjas na cintura como símbolo de vida da mulher hemorroísa (9,18-22). Jesus também nos envia em missão como testemunha (mártir) da boa nova (10,1-16). Ele nos liberta do peso das leis quando num sábado deixa seus discípulos comerem espigas. “Pois o Filho do Homem é senhor do Sábado” (12, 8).

Jesus é, em suma, o pão da vida que partilhado se multiplica para a comunhão da comunidade e se perpetua em memória (14,13-21; 15,32-39; 26,26-29). É o noivo das virgens prudentes (25,1-13), é os talentos dado a nós (25,14-30), e a medida do julgamento que mediante a prática do amor nos dirá “Vide, benditos de meu Pai” (25,34).

Felizmente o túmulo estava vazio, “após o sábado ao raiar do primeiro dia da semana” (28,1). Aleluia! Pois, é domingo dia da recriação, ou seja, Cristo é nossa páscoa. É hora de voltar à Galileia para subir a Montanha. Aí Jesus nos ressuscita dizendo: “eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (28,20).  

Autor: Cl. Renaldo Elesbão de Almeida


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